sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

DRUNKOREXIA


A obsessão pela magreza associada à compulsão por bebidas alcoólicas são sintomas da “drunkorexia”. O termo, pouco conhecido mesmo entre muitos profissionais de saúde, está ganhando destaque ao ser apresentado na novela Viver a vida, da Rede globo. Jovem e magra, a personagem Renata, vivida pela atriz Barbara Paz, se vê gorda e acredita que a bebida pode mantê-la em forma. Um equívoco que abrange questões físicas e psíquicas. No Brasil, 4 % das mulheres sofrem de algum tipo de transtorno alimentar. Segundo a coordenadora do Programa da Mulher Dependente Química (Promud) Silvia Brasiliano, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo, há poucos registros acerca da drunkorexia. “Muitas mulheres têm problemas com álcool, mas não necessariamente deixam de comer por isso; trata-se de um quadro difícil de ser detectado”. O Promud realizou o único estudo sobre o tema no Brasil, com 80 pacientes, em junho: 56% das dependentes de álcool ou de drogas que estavam em tratamento apresentavam algum distúrbio relacionado à alimentação. Desse total, 41% sofria de compulsão alimentar, 30% tinha bulemia e *% era anoréxica.


fonte: revista Mente e cérebro, ano XVII n 203

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010

COMPULSÃO SEXUAL


A compulsão sexual é uma síndrome caracterizada por fantasias sexualmente excitantes, recorrentes e intensas, impulsos ou comportamentos sexuais envolvendo padrões que não são suficientemente anômalos para se encaixar na definição de parafília. Normalmente, tais indivíduos não ficam só na fantasia, e a doença os leva aos comportamentos sexuais exagerados e, às vezes, perigosos. Acometem indivíduos de diferentes perfis socioeconômicos e culturais, alijando-os do trabalho, bem como do convívio familiar e social, o que se constitui em fonte de grande sofrimento pessoal, perdas significativas e constrangimentos.
Carnes (2000) estabelece um ciclo em quatro etapas para o Comportamento Sexual Compulsivo:
· A primeira etapa é a preocupação, na qual a pessoa apresenta um afeto semelhante ao do transe, estando completamente absorta em pensamentos de sexo e partindo para busca obsessiva de estimulação sexual.
· A segunda etapa é uma ritualização, na qual a pessoa desenvolve uma rotina que leva ao comportamento sexual. O ritual serve para intensificar a excitação.
· A terceira etapa é da gratificação sexual, mediante o ato sexual em si, onde a pessoa se sente incapaz de controlar seu desejo.
· A quarta etapa, o desespero, vem após o Comportamento Sexual Compulsivo e se caracteriza por uma sensação de impotência e desânimo.
Esse autor termina observando que as pessoas com Comportamento Sexual Compulsivo gastam uma quantidade enorme de energia emocional para manter secretos seus comportamentos e inclinações sexuais, levando, paradoxalmente, ao isolamento social e sexual.
A diferença entre compulsão e obsessão está na necessidade repetitiva de realizar atos sexuais. A atividade sexual passa a dominar as atividades da vida diária da pessoa e acarreta prejuízos, ou seja, a pessoa perde o controle do impulso sexual, sente uma constante necessidade de buscar sexo (em muitos casos, não necessariamente com o coito) e vira dependente. A obsessão tem menor intensidade de ansiedade e traz menos conseqüências sociais. Em sexo, não há regras definidas de certo ou erradas nem de muito ou pouco. Há pessoas que necessitam de sexo mais do que outras e não podem ser rotuladas de viciadas.

A compulsão sexual inicia-se geralmente, segundo a organização mundial de saúde- 1993, no final da adolescência ou no inicio da vida adulta; o sexo que é considerado pela OMS como critério que determina a qualidade de vida do individuo, quando praticado em excesso, pode sim, fazer mal e ser sintoma do problema denominado de compulsão.3 A busca desregrada por parceiros e sexo solitário marcam de formas distintas a compulsão sexual de homens e mulheres, mas para ambos a perda do autocontrole causa impactos dolorosos em suas vidas.
A compulsão sexual pode ser classificada como parafílica, quando existem comportamentos sexuais incomuns, como o exibicionismo, fetichismo, entre outros; e não-parafílicas, na ausência de comportamento sexual incomuns.
O comportamento sexual excessivo manifesta-se por inúmeras praticas sexuais, como a busca compulsiva de novas parcerias, masturbação compulsiva, consumo de material erótico exacerbado (vídeos, revistas) e uso compulsivo da internet para excitação sexual.
Segundo o Estudo da Vida Sexual do Brasileiro, de Carmita Abdo, em 2004, as praticas sexuais, caracterizadas de compulsivas, exacerbadas, apresentas pelos brasileiros são: bissexualidade (4,2%), experiência homossexual ao menos uma vez (23,5%); sexo a três (38,7%); sexo grupal (29,3%); sexo com profissionais (62,5%); sexo por dinheiro (14,4%); sexo sob influencia de alcool (61,2%); sexo sob influencia de drogas (18,4%); comportamento masoquista (24,5%), comportamento exibicionista (28%), penetração anal e vaginal desprotegidas (32,7%).

Para a realizaçao do diagnostico do comportamentos sexual exacerbado: comportamentos que causam sofrimento e prejuízo clínico significativo, manifestado nos últimos 12 meses por três ou mais dos seguintes aspectos:
1- Tolerância, diante das praticas sexuais cada vez mais intensas e frequentes para se obter a mesma satisfação que havia no inicio do quadro. À medida que a satisfação não ocorre, o ciclo se retroalimenta;
2- Abstinência, caracterizada pela presença de sintomas físicos e/ou psíquicos quando o individuo evita se envolver em práticas sexuais;
3- Duração longa e intensa crescente do comportamento;
4- Fracasso em controlar o comportamento;
5- Ritual de busca: muito tempo e energia gastos com atividades para obter sexo;
6- Prejuízo nas atividades sociais, ocupacionais e recreacionais;
7- Continuidade do comportamento,a despeito de conseqüências adversas.

O tratamento baseia-se na farmacoterapia, na psicoterapia individual e/ou de grupo, terapia de casal ou familiar, por tempo indeterminado. Nos casos de risco para o paciente ou para a sociedade, a internação pode ser necessária.


Bibliografia

1 - Abreu, Cristiano Nabuco de; Manual clínico dos transtornos de controle dos impulsos / Cristiano Nabuco de Abreu, Hermano Tavares, Táki A. Cordás, organizadores. – Porto Alegre: Artemed, 2008.
2 – Marzano, Celso – www.desejosexual.com.br
3 - Revista Psique Ciência & Vida – nº 31; São Paulo, Ed. Escala; 2008
4 - Ballone GJ - Comportamento Sexual Compulsivo - in. PsiqWeb, Internet, http://gballone.sites.uol.com.br/sexo/hipersexo.html; revisto em 2003
5 - Classificação de Transtornos Mentais e de Comportamento da CID-10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas – Coord Organiz. Mund. Da Saúde; trad. Dorival Caetano – Porto Alegre: Artes Médicas, 1993.
6 - DSM-IV-TR - Manual diagnóstico e estatístico de transtornos mentais. trad. Cláudia Dornelles; - 4. ed. ver. – Porto Alegre: Artmed, 2002.
7 - Revista Terapia Sexual – Clínica – pesquisas e aspectos psicossociais. I. São Paulo: Iglu, 1998.